segunda-feira, 25 de janeiro de 2010

Parte contigo . .



Ainda não partiste e já morri por dentro… sabes aquela sensação de que ainda ninguém viu nada e ainda assim já deste tudo o que tinhas? Sabes o que é não saber e não conseguir descobrir o que és, o que podes ser, o que ainda tens de lutar e conseguir?
No meio do chão, estou desolada, no meio da praia, sem ninguém, estou nua, sem pudores, sozinha, abandonada, sem nada que me faça esquecer este vazio, sem nada que me tire os medos, sem nada que me faça sonhar, sem beijos, sem abraços, sem nada … apetece-me deitar ao mar, ou talvez já tenha deitado , porque sinto-me a afundar, vejo a profunda escuridão , estarei morta ? Ou simplesmente a morrer ?
Não distingo nada, não vejo as cores, não vejo o céu, nem vejo a agua e a imensidão que me rodeia… o que sou, o que via, o que era, o que o meu corpo transportava adormeceu! Partiu contigo numa tarde fria, chuvosa, em que não se viam sorrisos, não se viam cores, em que o mundo era a preto e branco ou simplesmente preto, negro, escuro completamente morto, partiu contigo tudo de mim, talvez o tempo o traga de volta, talvez não volte, ou talvez volte contigo!
Há partes que não são minhas, que não são apenas parte de mim, há partes que jamais conseguirei reavivar porque o sonho não era meu, porque o corpo não era meu, porque a mente não era minha, o corpo era nosso, os sonhos nossos, a mente nossa, tudo nosso…
Talvez seja isso mesmo, iludida, talvez seja isso mesmo, sonhadora, talvez pense demais, talvez seja demasiado crente na ideia que não sou simplesmente igual a todas as outras, que o mundo não gira para todos igual e que eu não serei mais uma de boca em boca a girar aquilo que nem desejo conhecer … talvez seja iludida, talvez digam o mesmo todas as outras, talvez sejamos todas iguais, e eu igual a todas as outras, talvez te ultrapasse um dia e me transforme em tudo o que critico, mas e se não transformar? E se for fiel aos meus princípios? E se for fiel a tudo aquilo que sei que quero para mim?
No final da história direi “eu ganhei”? Se te perder ganharei mesmo?
Não vais ler isto, nunca vais ter coragem de o fazer, não vais ler nada do que escrevi e pensei em ti, não vais ler nada do que a minha mente te escreve, nem sequer escutas nada do que te digo e que vai contigo … partes, partes em vão, partes em busca de algo, partes em busca de algo que não sabes o que é , partes em busca de algo que talvez a tua mente nunca aceite, talvez me engane … talvez queira estar enganada! Nem tudo é sobre vitorias, e eu quero-te feliz, a minha maior vitoria seria dizer que me engano quando digo que talvez nunca encontres o que procuras interiormente, porque para veres em frente, não podes olhar para trás, para saberes o que é bom, não podes simplesmente ver o mau …
A tua ausência, para já apenas mental, transforma-me em algo que nunca pensei ser … magoada, lamechas, desolada, transforma-me no meu melhor ou talvez pior, e agora abandonada vou lutar, mas … ate conseguir ver alem da escuridão, ate conseguir subir desta imensa escuridão, deste mar em que me afoguei, vai demorar, demorar demais, mas não tem mal, pela primeira vez vou ser paciente, vou esperar!
Esperar, aqui , no fundo, esperarei … porque ? Não sei. Pelo que? Também não sei, mas sinto esta imensa vontade de esperar. Esperar por ti, ou pela felicidade que em ti encontrei, esperar por ti ou pela imensa felicidade que me proporcionas.
Estou confusa, abandonada, estou a tua espera, e por enquanto sei que apareces, amanha ou talvez depois, já não sei, quero que voltes, com o teu sorriso, com o meu sorriso, com as nossas promessas!

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